sábado, 7 de julho de 2007

Paulinho!

Olá!
Ontem começaram as despedidas mesmo. No escritório mais precisamente, tarefa difícil, caraca, não sabia que ia ser tão complicado. Dormi e acordei com aquela sensação: Será que está acontecendo isso mesmo? A ficha demora a cair, e eu ainda na cama; 7:40, penso eu: vou dormir pais ou pouco; 7:55, ah, dá mas um tempinho... 8:10, Caraca!!!! Quase perco a hora. Saio sem banho ( já havia tomado na noite anterior..rs), escovo os dentes, penteio os cabelos, roupa, calçados, colírio, e vou eu. Deixo meu pai em casa com a vaga promessa que iria aparecer; mentira, ele não aguentaria isso, nem mami, mas mesmo assim sem a compania dos dois segui firme em meu propósito.
Chego ao escritório, toda mesa de café da manhã pronta, algumas pessoas já esperando uma meia-novidade, já que muitos sabiam o que estava por vir. Eu meio sem jeito como sempre, com aquele jeito maroto, só que desta vez, com os olhos marejados, meio calado, nem um pouco á vontade.
Entre sucos, bolachas, pães e um cafezinho, penso num discurso, discurso? Não faz bem o meu tipo, então penso em...? em...? Já sei, vou chegar e dizer que estou indo pra São Paulo estudar, coisa simples e direta, sem muito rodeio, sem muita enrolação como é da minha personalidade mesmo.
Depois de todos presentes, corto as conversas paralelas e digo: Gente! O que me traz aqui hoje, é anunciar a todos vocês que vou pra São Paulo fazer um curso, de 1 ano mais ou menos, nesse momento a garganta seca, a primeira lágrima cai. Seco, cai mais uma. Seco, cai mais 2, 3, e dái pra frente não consigo mais raciocinar nem articular os pensamentos. 15 pessoas esperando um discurso que não iria acontecer, e minha pretensão de apenas anunciar a notícia como de costume? Realmente foi por lágrima a baixo. Sem pode falar, emocionado, eis que surge um ombro amigo, mas não um simples ombro amigo. Eis que surge o Paulinho, o cara mais tranquilo do mundo, meu tio, que mais faz compania pra gente no escritório do que qualquer coisa, é chegado num destilado e tudo mais.
Mas nesse momento, êta sensibilidade, me apoiou em seu ombro, tomou as palavras e num gesto de pura compaixão, me livrou da árdua tarefa de explicar o que não dava pra mim. O que não saia das minhas cordas vocais.
Aliás, pelo meu semblante estava explicado o que queria dizer; Estou indo, com o coração partido, e sentirei saudades de tudo aqui, afinal, quase metada da minha vida passei nesse escritório, alí tive minhas primeiras vitórias, meus fracassos e realizações.
Hoje entendo porque mei pai não foi, ia ser emoção demais pra tanta gente, mas com certeza, não faltaria o ombro do Paulinho, Grande Paulinho, que mostrou toda o seu apoio na hora que eu mais precisei. deve ter uma explicação, ele ter ficado do meu lado, espremido na porta, mas ficou do meu lado, talvez eu substimei a grande sensibilidade que se esconde, atrás de uma pessoa meio avoadinha como ele.
Uma prova de fogo no início do dia, mãe com olhar triste em casa, nenhuma mala arrumada ainda, Pai segurando a barra da Mãe e irmã, ausente ainda, chegando em casa para que um dos filhos possa levantar vôo pra terra da garoa.
Deus escreve certo por linhas tortas, diz o ditado popular, talvez por isso que as aulas comecem na terça, e nesse findi eu não tenha quase tempo de me despedir de ninguém prova, MBA, porque aí seria muita covardia pra um pequeno rapaz latino americano, sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo do interior. Afinal de contas, o Paulinho não estará ao meu lado em todas despedidas pra me dar o conforto e o carinho de uma ombro amigo.
Paulinho, esse texto é em sua homenagem. ÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓ!!!
P.S: Só quem o conhece, sabe do que significa isso aí em cima...rs

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